"Protesto é quando eu digo que algo me incomoda. Resistência é quando eu me asseguro que aquilo que me incomoda nunca mais acontecerá."
(Ulrike Meinhof - ativista alemã, fundadora do grupo Baader-Meinhof)
Um dia, nos idos de 1992, a juventude foi às ruas para tirar do poder um Presidente da República.
Naquele tempo, com apenas 13 anos de idade, invejei os estudantes secundaristas e universitários. Afinal, eu também queria pintar a cara, gritar palavras de ordem e, se desse sorte, até sair na capa de revistas e jornais.
Quase 21 anos após o episódio dos caras pintadas, muita coisa mudou. Hoje, aquele Presidente é Senador da República, o Congresso Nacional é comandado por Renan Calheiros e o PT, aquele partido da estrelinha vermelha, foi protagonista de um dos maiores escândalos da história política deste país.
A juventude, entretanto, continua a mesma. Movida pelos doces arroubos típicos da tenra idade, volta às ruas.
Não, eu não sou fã do Arnaldo Jabor.
Não, eu não me tornei uma balzaquiana ranzinza.
Não, eu não perdi a capacidade de me indignar diante das injustiças.
Sim, os protestos com reivindicações justas e motivos legítimos são sempre louváveis, emocionantes, impactantes. Uma mudança social efetiva, todavia, não se faz apenas com um levante popular adornado por cartazes com frases de efeito.
O processo de unificação da Alemanha iniciou-se muito antes do primeiro pedaço de concreto do muro de Berlim começar a ruir.
Os traços da República Francesa já estavam sendo delineados muito antes do povo tomar a Bastilha.
O Brasil precisa de protestos, mas, acima de tudo, precisa de resistência. A consciência política do cidadão deve ser formada e consolidada.
As crianças crescem sem noções básicas de cidadania e, de repente, já adolescentes, são conclamadas a mudar o país, a protestar sobre algo que sequer conhecem, sobre tudo e sobre nada.
Os protestos são de grande valia, mas, para não nos tornarmos o eterno país dos caras pintadas, há de haver efetiva resistência, de alma limpa e de cara lavada.
(Ulrike Meinhof - ativista alemã, fundadora do grupo Baader-Meinhof)
Um dia, nos idos de 1992, a juventude foi às ruas para tirar do poder um Presidente da República.
Naquele tempo, com apenas 13 anos de idade, invejei os estudantes secundaristas e universitários. Afinal, eu também queria pintar a cara, gritar palavras de ordem e, se desse sorte, até sair na capa de revistas e jornais.
Quase 21 anos após o episódio dos caras pintadas, muita coisa mudou. Hoje, aquele Presidente é Senador da República, o Congresso Nacional é comandado por Renan Calheiros e o PT, aquele partido da estrelinha vermelha, foi protagonista de um dos maiores escândalos da história política deste país.
A juventude, entretanto, continua a mesma. Movida pelos doces arroubos típicos da tenra idade, volta às ruas.
Não, eu não sou fã do Arnaldo Jabor.
Não, eu não me tornei uma balzaquiana ranzinza.
Não, eu não perdi a capacidade de me indignar diante das injustiças.
Sim, os protestos com reivindicações justas e motivos legítimos são sempre louváveis, emocionantes, impactantes. Uma mudança social efetiva, todavia, não se faz apenas com um levante popular adornado por cartazes com frases de efeito.
O processo de unificação da Alemanha iniciou-se muito antes do primeiro pedaço de concreto do muro de Berlim começar a ruir.
Os traços da República Francesa já estavam sendo delineados muito antes do povo tomar a Bastilha.
O Brasil precisa de protestos, mas, acima de tudo, precisa de resistência. A consciência política do cidadão deve ser formada e consolidada.
As crianças crescem sem noções básicas de cidadania e, de repente, já adolescentes, são conclamadas a mudar o país, a protestar sobre algo que sequer conhecem, sobre tudo e sobre nada.
Os protestos são de grande valia, mas, para não nos tornarmos o eterno país dos caras pintadas, há de haver efetiva resistência, de alma limpa e de cara lavada.